Eu já havia falado aqui no site de como os russos adoram ler. Clique aqui para ver esse assunto! Os russos leem e muito. Logo que cheguei na Rússia a primeira coisa que ganhei foi um livro de 400 páginas e sempre ouvia, leia! Leia e leia! Para mim não foi problema, uma vez que adoro ler.

Hoje acabei de ler meu livro do ano, esse ano de 2015 escolhi um livro para ler “Бедные люди” em português “As
pessoas pobres”. Os russos falam que por enquanto temos que ler um livro no ano, não importa qual etc., pois aqui o importante é você ler.

Esse mês de maio faz 70 anos da vitória sobre os alemães. Eu gostei muito da matéria que foi publicada na folha do dia 08 de maio de 2015, e tem uma dessas matérias falando sobre o amor dos russos ao livro ou seja a leitura dos soldados soviéticos na guerra. Li e achei muito interessante, uma vez que nem mesmo naquele tempo de terror e medo os russos deixavam os livros de lado, sempre estavam lendo-os.

Bom, a matéria é da autora “Marina Obrazkovo” da gazeta russa. E resolvi colocar aqui no site para que você possa ler e entender em como para os russos até nos dias de hoje, apesar de não está como antes, mas para eles a leitura é muito importante.

O que os soldados soviéticos liam durante a guerra

8/05/2015 Marina Obrazkova, Gazeta Russa

Púchkin, Shakespeare, partituras… Publicação de livros não parou na URSS, e bibliotecários iam ler à beira das trincheiras e em hospitais.


Mesmo durante os anos da Grande Guerra Pátria (1941-1945), o mundo dos livros continuou sendo muito especial na União Soviética. Ainda com os combates, a devastação e a fome, as pessoas liam muito, e novas bibliotecas eram continuamente inauguradas. Só na unidade federativa de Moscou, 200 novos estabelecimentos do gênero foram abertos no período.

“Com a guerra, o bibliotecário passou a ter novas responsabilidades. Por exemplo, se a biblioteca era atingida por um projétil, ele tinha que selecionar todos os livros que não haviam sido danificados e encaminhá-los a outras instituições”, conta Elena Arlánova, curadora da exposição “Vitória: histórias não inventadas”.

Na biblioteca Tchernichévski, em Moscou, a exibição apresenta mais de 300 títulos publicados entre 1941 e 1945.

A mostra traz informações curiosas ao visitante. O fato de muitas edições do período terem saído em formato de bolso, por exemplo, não era pura coincidência, mas uma forma de facilitar a leitura pelos soldados em campo.
Seguindo essa fórmula, uma coleção de citações do chefe militar russo Aleksandr Suvorov (1730-1800), exibida na biblioteca, encaixava-se perfeitamente no bolso ou na mochila.

Para Arlánova, a escolha pela edição de “Preceitos de Suvorov” na época não se deu por acaso. “Um amigo meu veterano costuma dizer que não foram os artilheiros ou os tanquistas que ganharam a guerra, mas os instrutores políticos que preparavam os soldados para a batalha, ao ajudá-los a manter disposição e estado de espírito adequados.”

Política e jardinagem

A literatura publicada então era muito diversificada. De um lado, havia obras filosóficas e políticas: “Diplomacia”, de Harold Nicolson; “A Paz” de André Tardieu; “História da Filosofia em dois volumes”; títulos do diplomata Otto von Bismarck e do filósofo Plutarco; algumas obras sobre a invasão francesa à Rússia em 1812 e sobre os confrontos entre tribos eslavas e germânicas.

Guias de conversação foram extremamente importantes à medida que Exército Vermelho avançava.

Também foram publicados diversos clássicos, russos e estrangeiros: Shakespeare, Púchkin, Dante, Górki, Dickens e Tolstói.

Além disso, outras publicações surpreendiam pela temática aparentemente desnecessária para aqueles anos, como era o caso de “Jardinagem Ornamental” e “Caça”, volumes da Grande Enciclopédia Soviética, um álbum artístico do pintor russo Karl Briullov e um livro sobre fundamentos da composição musical, além de partituras de compositores clássicos como Glinka, Rímski-Kôrsakov e Rachmaninoff.

Conversação como arma

Além de livros de viés militar e político, a época exigia a publicação de dicionários e guias de conversação. Afinal, o Exército soviético estava se deslocando e chegava a novos países, onde precisava se comunicar com a população local.

Uma grande quantidade de publicações do gênero foi impressa e, por meio delas, pode-se até esboçar a movimentação do Exército soviético: dicionários polonês-russo, romeno-russo, turco-russo, japonês-russo etc.

Também era editada literatura nas línguas dos povos da URSS. Assim, as populações das repúblicas podiam ler nas línguas nativas e os russos podiam conhecer as culturas daqueles que lutavam a seu lado, ombro a ombro. Mais de uma dezena de editoras continuava em funcionamento. Muitas foram evacuadas para a retaguarda, mas continuavam a produzir livros.

Livros contra o MP3

Para o especialista em literatura militar Boris Leonov, a guerra trouxe muitas novidades literárias e conferiu valor ainda maior aos livros.

“Esse período nos presenteou com toda uma categoria de literatura militar que se tornou clássica e serviu de base para as futuras obras do século 20. Surgiram muitas obras poéticas, romances e histórias sobre a guerra. Parte dessas foi impressa durante nesses anos”, disse Leonov à Gazeta Russa.

Já os bibliotecários, passaram a exercer uma função quase de pregadores. “Os funcionários das bibliotecas começaram a ir às trincheiras que estavam sendo cavadas para ler em voz alta para quem trabalhava nelas. Eles também o faziam em hospitais”, diz Arlánova.

“Hoje, isso já não é mais possível. As pessoas passam a maior parte do tempo ouvindo MP3 e assistindo a filmes. O livro deixou de ser a base da cultura”, diz Leonov.

Eu não discordo de Leonov quando ele diz que as pessoas passam a maior parte do tempo ouvindo mp3 e assistindo filmes nos dias de hoje. É uma pena, uma vez que ler também é interessante e a leitura não pode ficar de lado. Eu diria que é mais interessante do que o filme, muitas vezes o livro é melhor do que aquele filme, conseguinte ainda vejo muitas pessoas lendo livros dos filmes que já assistiram ou que vão assistir, mas antes querem ler o livro, isso é algo muito bom, pois mesmo na preferência de assistir ao filme não quer deixar a leitura de lado. Temos que ter em mente que ler nos traz mais conhecimento, sabedoria e melhora nosso vocabulário, assim aprendemos a escrever e falar melhor em qualquer língua incluindo sua língua materna.


Penso no seguinte, como os livros em geral ajudou esses soldados soviéticos a manterem-se firmes e fortes psicologicamente, pois a leitura ajudou e muito nisso, sendo que você está em confronto, pronto para defender seu país sua vida, não sabe se vai sobreviver daqui a segundos, minutos ou horas etc., pois uma das formas para não ficar pensando nisso era a leitura. Uma forma de distração construtiva e enriquecedora de conhecimento e sabedoria. Os russos sabem disso melhor do que ninguém, uma vez que eles tiveram e tem escritores famosíssimos e muito forte na literatura russa.

Até a próxima!!!

2 thoughts on “Ler para viver”

    1. Beatriz, boa noite
      Ler um livro em russo no inicio do aprendizado desse idioma não é uma tarefa muito fácil. Demorei um tempo para conseguir ler meu primeiro livro em russo.
      Uma dica, leia livros infantis bem curtos no inicio para ajudar adquirir mais e mais vocabulário.
      Realmente a Bulgária esta próximo e o idioma búlgaro e bem próximo do russo, ate mais do que o ucraniano. Mesmo assim são idiomas diferentes.
      Aprendi russo sozinho depois de alguns anos fui para Russia, aonde e claro aprimorei mais e mais o aprendizado nesse belo idioma.
      Da uma olhada nesse linque que tem aqui no blog.
      Como você aprendeu russo sozinho?

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