Lembro hoje como se fosse ontem, a minha primeira vez atravessando o mundo para chegar na Rússia. Dia 09/04/2011 estava eu ansioso no aeroporto de Guarulhos- São Paulo esperando para entrar no avião. Era minha primeira vez viajar para fora do país, era minha primeira viagem para tão longe. Estava tão nervoso, ansioso. Tantos pensamentos passavam pela minha cabeça. Tantas incertezas e duvidas que eu fazia de tudo para não atrapalharem minha viagem. O medo! Esse era o pior de todos e eu lutava o tempo inteiro com ele, uma batalha mortal, por conseguinte o medo pode ser o principal inimigo para acabar com os sonhos e atrapalhar tudo, mas enfrentei ele e fiz com que ele ficasse de lado.

Por um momento veio a minha cabeça a lembrança de um conto de Guimarães Rosa cujo nome do livro é “Primeiras estórias” que eu li a um tempo atrás, onde tratava-se de um menino fazendo sua primeira viagem de avião e que tudo para ele era muito novo, pois por um momento senti-me como aquele menino do conto.

Eu não sabia exatamente o que me esperava do outro lado do mundo. Sim, eu sabia que ia ficar com uma família russa, ia para mais bela cidade do Leste europeu, mas tudo isso era novo para mim e eu ia com a coragem e buscava me aprofundar mais e mais na certeza que tudo daria certo. Eu sabia que eu tinha que arriscar e ir além do horizonte. Eu não conhecia a família pessoalmente, eu não sabia os costumes exatos deles, mas isso tudo ia descobrir lá. Eu tinha essa necessidade de mergulhar de cara em uma nova cultura e novos costumes e descobrir o mundo novo que iria se abrir para mim e foi o que exatamente aconteceu.

Muitas pessoas tentaram convencer –me de alguma forma para desistir com essa ideia, que para alguns era um tanto louca de deixar seu país para ir morar do outro lado do mundo com pessoas que você nem conhece direito e nem faz ideia do que te espera. Sim, ouvi muitas coisas: “Você tem certeza que vai deixar tudo aqui para ir tão longe? Você vai realmente deixar seu emprego aqui para ir morar num local com pessoas totalmente diferentes?” Não quero julgar essas pessoas que tentaram convencer-me a não fazer isso, talvez elas só queriam meu bem e ter certeza se eu iria ter coragem de ir morar num local tão longe.

Enquanto o tempo para entrar no avião ficava curto eu me consumia demais de ansiedade e claro os pensamentos de incertezas não deixavam minha cabeça. “Será mesmo se tenho que fazer isso?” “E se acontecer alguma coisa, meus pais não tem dinheiro para me ajudar se algo acontecer comigo lá?” Eu sabia que depois de entrar naquele avião, não tinha volta. Eu tinha duas escolhas, uma delas era deixar tudo e ir embora, outra é entrar naquele avião e descobrir o mundo que estava à minha espera e é claro fiquei com a segunda escolha que foi entrar naquele avião e embarcar.

A primeira coisa que me impressionou assim que sai do aeroporto de Pulkovo em São Petersburgo foi o frio. Estava +5 graus e muito frio. Nunca vou esquecer daquela sensação de frio que senti no aeroporto de São Petersburgo. Depois foi a ida do aeroporto até a casa da família que eu iria conhecer. Era outro mundo, estava longe e muito longe do Brasil, eu tinha consciência que estava do outro lado do mundo e isso me deixava muito feliz, entretanto acabara de conseguir algo que jamais pensei que realmente chegaria a conseguir. Tudo foi de imediato diferente para mim, pois as pessoas nas ruas se vestiam diferente, tudo estava congelado lá fora, pedras de gelo misturado com neve por toda parte. Eu estava feliz e muito! Eu estava na Rússia! Eu estava em São Petersburgo! Um novo mundo que eu acabara de descobri. Curioso e um tanto assustado eu olhava da janela do carro, afim de ver tudo lá fora, queria ver tudo que pudesse ver, as placas escritas em russo, os carros (famoso carro russo lada), a neve que tinha coberto tudo, as pessoas vestidas como se estivessem no Alasca. Aquilo era para mim tudo tão diferente. Parecia que estava em um sonho. Saindo do carro e ouvindo as pessoas a minha volta falando russo, foi o marco da felicidade, como eu queria isso, ouvir as pessoas nas ruas falando aquele idioma que estudei por muito tempo e estava mais do que nunca enraizado na minha cabeça.

1 Aeroporto Pulkovo em São Petersburgo

A segunda etapa foi conhecer a família com quem iria conviver naquele novo mundo que aos poucos se abria para mim. Eu aprendi a amar cada vez mais aquele lugar. Minhas experiências nesse país foram ótimas e os 3 anos de Rússia para mim foi de grande aprendizado. Não estou aqui a dizer que por aqui tudo é perfeito, jamais. Na Rússia tem muitos problemas e muita corrupção, mas não queria prestar atenção nisso, pois todo lugar tem seus problemas e seu lado negativo. Cada um tem ou terá uma experiência diferente, ou seja a minha experiência pode ser que não seja igual a sua. A impressão que você vai ter quando chegar aqui, talvez não seja a mesma que a minha. Vai de cada um e cada um terá sua experiência agradável ou não. Assim como já conheci brasileiros que ao chegar na Rússia se apaixonaram, mas também já conheci brasileiros que detestaram e até fazem aquela pergunta: “Como você pode gostar desse lugar?” Mais o problema nem é gostar é que eu amo demais esse lugar e ponto final. Conheci muitos locais lindos nesse enorme país, um mundo se abriu para mim com uma cultura diferente, na qual eu mergulhei com cara e coragem. Lembro hoje, se eu tivesse voltado para trás naquele dia e não tivesse entrado naquele avião teria deixado de conhecer esse mundo chamado “Rússia”. Conheci cidades russas que mais parecem num sonho. E Conheci locais que jamais passou pela minha cabeça em que um dia estaria neles.

Aprendi cada vez mais com os russos e também como entende-los. Entendi porque comer alho no inverno é tão importante. Entendi porque para nós brasileiros os russos parecem ser tão grossos ou até mesmo frios. Aprendi a lidar com a enorme diferença de mentalidade. Aprendi a entender cada vez o belo idioma russo. Tudo é um aprendizado por esse país. Cada vez mais que você fica aqui, pois vai aprendendo mais e mais.

Quando você acaba morando com os russos, pois acaba pegando alguns costumes como de tomar chá o tempo inteiro. Os russos o tempo todo estão tomando chá e essa foi uma das coisas que peguei. Comer pepino também é uma coisa que os russos fazem e muito, principalmente no verão. Os russos adoram comer pepinos e aprendi a gostar muito de pepinos por aqui.

Eu já gostava de ler e muito, entretanto aqui aprendi a gostar mais ainda da leitura, pois os russos leem e muito.

Durante esse tempo do blog eu postei sobre vários assuntos referente a Rússia. Somente clicar em um dos linques abaixo:


  • Como você conseguiu ir para Rússia?



  • Os russos



  • A vida na Rússia



  • Um ano na Rússia



  • Um brasileiro na Rússia



  • Filme soviético



  • Os russos e a desconfiança



  • O café da manhã dos russos



  • Minha primeira neve



  • Um ano na Rússia



  • A comida na Rússia


A Rússia é realmente um país incrível. Não tem como negar que cada cidade russa é uma caixa cheia de surpresas. Viajar pela Rússia você vai ver paisagens de tirar o folego e isso em qualquer estação do ano por aqui. Florestas e lagos estão por toda parte. O verde toma conta do verão e o dourado no outono e nem preciso dizer que o branco no inverno.

Até a próxima! Qualquer coisa deixe um comentário!

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